Descomplica: correção monetária em financiamentos imobiliários

Já financiou algum bem e, ao somar todas as parcelas, percebeu que o total é maior que o valor do contrato? Muitos acham que isso se deve apenas à cobrança de juros, mas há outro fator responsável: a correção monetária.

No segundo texto da série “Descomplica”, vamos falar sobre as taxas de atualização monetária utilizadas no financiamento de imóveis.

O que é?

Vamos dizer que você foi ao supermercado em um mês e gastou R$ 50,00. No mês seguinte, você retorna ao mesmo estabelecimento e compra os mesmos itens das mesmas marcas, mas o valor total fechou em R$ 60,00. O que aconteceu?

Durante o mês que separa as duas idas ao supermercado, os produtos tiveram seus preços alterados pela inflação. O poder de compra de R$ 50,00 diminuiu: o que antes podíamos adquirir com esse valor, agora não podemos mais.

A correção ou atualização monetária é isso: um ajuste periódico de certos valores, como os de financiamentos, com base no índice de inflação. É um valor que pagamos além dos juros para compensar a perda de valor da moeda.

Na compra de um imóvel, três índices são usados para fazer a correção monetária: INCC, IGP-M e TR, todos com base na inflação.

INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é utilizado para atualizar o valor dos imóveis desde sua aquisição até a finalização das obras. Ele é necessário porque, durante o período da construção, os valores dos materiais, matéria-prima e mão de obra sofrem alterações.

O índice é calculado todo os meses pela Fundação Getúlio Vargas e é aplicado sobre o saldo devedor do financiamento.  O blog Lopes explica em detalhes como é feita essa correção.

IGP-M

Após a construção, se você realizou o financiamento diretamente com a construtora, a correção monetária do seu imóvel provavelmente será feita a partir do IGP-M. O Índice Geral de Preços do Mercado é utilizado no reajuste das parcelas de energia elétrica, aluguéis e outros bens e serviços, além de financiamentos diretos com construtoras. Ele é divulgado ao fim de cada mês pela Fundação Getúlio Vargas.

Três outras taxas são consideradas para definir o IGP-M:

  • Índice de Preços por Atacado (IPA) – peso de 60% do IGP-M
  • Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – 30%
  • Índice Nacional de Custo da Construção INCC – 10%

TR

Agora, se você adquiriu um imóvel via financiamento bancário, a correção das parcelas terá como base a Taxa Referencial de Juros (TR), que foi instituída em 1991 como parte das medidas de política econômica do Plano Collor II.

Calculada e divulgada diariamente pelo Banco Central (BACEN), a TR era uma forma de conter a inflação, evitando que a taxa de juros do mês corrente refletisse a inflação do mês anterior. Hoje, essa é a mesma taxa utilizada na atualização de valores do FGTS, poupança, empréstimos e financiamentos habitacionais.

O cálculo da TR é feito a partir da Taxa Básica Financeira (TBF), uma média das aplicações em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) dos 30 maiores bancos do Brasil.

 

Conhecer essas taxas e buscar estar sempre informado(a) sobre suas variações periódicas não só ajuda você a compreender como são definidas as parcelas de seu financiamento, mas também é uma forma de evitar cobranças indevidas.

E se você ainda não leu o primeiro texto dessa série, clique aqui para saber como a Taxa Selic e o Índice Fipe interferem no valor dos imóveis.

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